OCUPAÇÃO POÉTICA — TEATRO CÂNDIDO MENDES (4ª EDIÇÃO) — VÍDEOS: MARIA CEIÇA, ZEZÉ MOTTA & FLÁVIA OLIVEIRA

maio 26, 2016 - Leave a Response

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(Maria Ceiça)

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(Zezé Motta)

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(Flávia Oliveira)
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Aos interessados, 3 vídeos da 4ª edição do projeto “Ocupação Poética”, ocorrido no dia 3 de maio (terça-feira), no teatro Cândido Mendes (Ipanema – RJ), com a participação de um elenco estelar: Geraldo Carneiro, Maíra Freitas, Elisa Lucinda, Zezé Motta, Maria Ceiça, Dani Ornellas, Flávia Oliveira, Wagner Cinelli, Ju Colombo, Maria Gal & Tom Farias.

Nos vídeos desta publicação, leituras dos trechos do livro “Barras, vilas & amores”, do homenageado da noite, o sempre simpático cantor, compositor & escritor Martinho da Vila: no primeiro vídeo, gravado, montado, editado & produzido pelo querido músico, produtor & videomaker Felipe Fernandes (ficou lindo o vídeo, diferentemente dos demais que posto aqui, feitos com a câmera de um celular), a atriz Maria Ceiça lê um trecho do livro em homenagem à Barra da Tijuca, onde atualmente mora o Martinho & que ele chama de sua mais nova namorada; no segundo vídeo, a grande diva Zezé Motta lê um trecho do livro sobre as lutas pelo fim da escravidão/opressão sofrida pelos negros & as lutas pelo fim do racismo, cantando, inclusive, “O mestre-sala dos mares”, de Aldir Blanc & João Bosco; no terceiro vídeo, a jornalista Flávia Oliveira lê um trecho do livro sobre políticas brasileiras de inclusão social, trecho no qual a jornalista & colunista é citada.

Portanto, aos interessados, 3 assuntos que são caros ao Martinho da Vila: a sua nova namorada, a Barra da Tijuca; as lutas pelo fim da escravidão/opressão contra os negros & pelo fim do racismo; e as políticas de inclusão social do Brasil.

Mais vídeos chegarão!

Divirtam-se!

Beijo todos!
Paulo Sabino.
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(do site: Youtube. projeto: Ocupação Poética [4ª edição] — Teatro Cândido Mendes. local: Rio de Janeiro. data: 03/05/2016. Maria Ceiça lê um trecho do livro Barras, vilas & amores, de Martinho da Vila.)

 

Ela é bonita, muito linda mesmo.
A primeira vez que a vi era ainda muito jovem, quase
virgem. Uma fruta verdinha em todos os sentidos.
Seu verde calmo se confundia com o azul de um imenso 
mar. Hoje está mais madura, imponente como uma
égua de competição.
Vista de cima, de asa delta, de monomotor, parapente…
É deslumbrante. Um avião.
Paquerei sem sonhar, pensando: “É muita areia para o meu caminhãozinho”.
A brisa da sorte, aquela que sopra sempre para o lado
dos poetas, me ventilou e tive a ventura de conhecê-la.
Devagarinho fui me achegando. Flertamos.
Descobri seus outros encantos, seus recantos…
Deixei-me levar nas suas águas e estamos namorando,
bem enamorados.
É certo que vou me apaixonar porque ela é bela, segura,
dominante.
Não é Duas Barras, mas é calma. Não tem vila como a
Vila, mas é tranquila.
Não tem muvuca, tem point. É a Barra da Tijuca.

 

A Barra, como é conhecida popularmente, é um bairro nobre localizado na zona oeste da cidade do Rio de Janeiro. Seus moradores pertencem a uma classe privilegiada. É um bairro considerado centro gastronômico  e de entretenimento da capital, e muitas pessoas de outros bairros cariocas, em especial da zona sul, têm migrado para lá. A Barra possui uma das maiores favelas do Rio de Janeiro, a Rocinha, e é também reconhecida como uma área com alto índice de desenvolvimento humano (IDH), por abrigar população de classe alta e emergente. Possui também a praia mais extensa do Rio de Janeiro, com 18 km de belas areias com águas limpas. Fica ali a lagoa de Marapendi, transformada em Área de Proteção Ambiental a Reserva Biológica.

Um dos pontos mais pitorescos da Barra da Tijuca é a ilha da Gigoia, uma ilhota desconhecida pela maioria dos cariocas, habitada por gente simples. Sem ruas nem carros, todo o percurso é feito por vielas, e é possível cruzá-la em uma caminhada de cerca de meia hora. O acesso à ilha é feito por barcos e pequenas balsas.
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(do site: Youtube. projeto: Ocupação Poética [4ª edição] — Teatro Cândido Mendes. local: Rio de Janeiro. data: 03/05/2016. Zezé Motta lê um trecho do livro Barras, vilas & amores, de Martinho da Vila.)

 

Adib tinha total razão, queridos leitores, quando disse ao “afilhado” Josuel que a transferência da capital para o Planalto Central, um plano antigo, foi um erro. Nos anos 1950 a aviação de combate e defesa já era primordial, e o perigo passou a ser dos ares. Seria justificável no tempo do Brasil Imperial, quando havia guerras de conquista e os invasores chegavam pelo mar.

A ideia da transferência ganhou força em 1910, ano em que o marinheiro João Cândido tomou a armada brasileira e ameaçou bombardear a cidade em protesto contra o açoite a marinheiros negros no pós-abolição. O episódio, conhecido como a revolta da Chibata, que eu prefiro chamar de revolta da Armada, sempre foi assunto proibido, mas o combativo jornalista e escritor Edmar Morel escreveu, em 1959, um livro sobre o fato que também serviu de inspiração para um antológico samba de João Bosco e Aldir Blanc, poeticamente composto com o subterfúgio da linguagem figurada para driblar a censura:

 

Há muito tempo nas águas
Da Guanabara
O dragão no mar reapareceu
Na figura de um bravo
Feiticeiro
A quem a história
Não esqueceu
Conhecido como
Navegante negro
Tinha a dignidade de um
Mestre-sala
E ao acenar pelo mar
Na alegria das regatas
Foi saudado no porto
Pelas mocinhas francesas
Jovens polacas e por
Batalhões de mulatas
Rubras cascatas jorravam
Das costas
Dos santos entre cantos
E chibatas
Inundando o coração
Do pessoal do porão
Que a exemplo do feiticeiro
Gritava então
Glória aos piratas, às
mulatas, às sereias
Glória à farofa, à cachaça
Às baleias
Glórias a todas as lutas
Inglórias
Que através da
Nossa história
Não esquecemos jamais
Salve o navegante negro
Que tem por monumento
As pedras pisadas do cais

 

O almirante João Cândido é símbolo das lutas dos militantes do Movimento Negro, iniciado com Ganga Zumba, fundador do Quilombo dos Palmares que acolhia escravos fugitivos perseguidos pelos capitães do mato. Zumbi, o Guerreiro da Liberdade, substituiu Ganga Zumba na chefia do quilombo e o expandiu, recrutando mulheres e brancos injustiçados para intensificar as incursões a fazendas para libertar escravos.

O Quilombo dos Palmares era praticamente um estado independente na serra da Barriga, entre Pernambuco e Alagoas. Os quilombolas de Palmares viviam basicamente da agricultura de subsistência, da pesca e da caça. Plantavam milho, banana, feijão, mandioca, laranja e cana-de-açúcar. Faziam também artesanato com cerâmica, tecido, palha… Tinha uma organização política semelhante aos reinos africanos, ou seja, poder centralizado nas mãos de um líder.

Segundo os dicionários, zumbis são almas penadas que vagueiam à noite, causando arrepios e, na minha concepção, a definição é devida ao medo que os fazendeiros escravagistas tinham de Zumbi dos Palmares, líder que na calada da noite invadia propriedades e arregimentava cativos.

No Rio de Janeiro e em alguns outros municípios, 20 de novembro, Dia da Consciência Negra, ou Dia de Zumbi, é feriado.
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(do site: Youtube. projeto: Ocupação Poética [4ª edição] — Teatro Cândido Mendes. local: Rio de Janeiro. data: 03/05/2016. Flávia Oliveira lê um trecho do livro Barras, vilas & amores, de Martinho da Vila.)

 

Uma importante fase da luta foi a agressão verbal, cujo ícone Abdias Nascimento representou. Doutor em economia, escritor, jornalista, artista plástico, ator, diretor teatral e dramaturgo, Abdias foi o primeiro negro a assumir uma cadeira no Senado, onde causava constrangimento ao acusar a República brasileira de discriminatória, porque nas fotos de posses dos governantes não se veem negros.

Tinha total razão o combatente Abdias. Hoje mesmo — escrevo no primeiro dia do ano de 2015 — saiu nos jornais a foto dos ministros do governo da presidente Dilma, e não vi nenhum preto.

A jornalista Flávia Oliveira escreveu em sua coluna de O Globo, na edição de 4 de janeiro, uma crônica intitulada “Mal na foto”, que em certo trecho declara:

Difícil acreditar que não existam no país um engenheiro negro de pensamento ortodoxo, currículo assemelhado ao de Joaquim Levy, para conduzir a Fazenda pelos caminhos do tripé macroeconômico que Dilma abraçou no discurso de posse. Ou que não haja uma brasileira doutora em economia por universidade americana, como Alexandre Tombini, para assumir o Banco Central. Ou uma médica capacitada em gestão e planejamento para, como Arthur Chioro, comandar o ministério da Saúde. Certamente, o Brasil tem gays, negros e mulheres formados em direito, com mandato na Câmara Municipal, cargo executivo em empresa pública e experiência em assessoria parlamentar para estar à frente dos Transportes, cargo de Antônio Carlos Rodrigues.

(…)

Querido leitor ou leitora!

Se você é contra as ações afirmativas para a inclusão social, como sistema de cotas raciais, aqui vai um dado para pensar. O jornal O Dia de 26 de abril de 2015, no caderno Economia, na Coluna do Servidor, de Alessandra Horto com Hélio de Almeida, foi publicada a matéria “União tem apenas 4% de negros em seus quadros”. E informa que “pouquíssimos estão no Poder Executivo e que, mesmo com curso superior, a maioria dos negros ainda está em funções de nível auxiliar”. O argumento tópico tem mais detalhes e foi baseado no Censo Demográfico de 2010, do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

OCUPAÇÃO POÉTICA — TEATRO CÂNDIDO MENDES (4ª EDIÇÃO) — VÍDEOS: DANI ORNELLAS, MAÍRA FREITAS & WAGNER CINELLI

maio 17, 2016 - Leave a Response

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(Dani Ornellas)

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(Maíra Freitas)

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(Wagner Cinelli)
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Aos interessados, 5 vídeos da 4ª edição do projeto “Ocupação Poética”, ocorrido no dia 3 de maio (terça-feira), no teatro Cândido Mendes (Ipanema – RJ), com a participação de um elenco estelar: Geraldo Carneiro, Maíra Freitas, Elisa Lucinda, Zezé Motta, Maria Ceiça, Dani Ornellas, Flávia Oliveira, Wagner Cinelli, Ju Colombo, Maria Gal & Tom Farias.

Nos vídeos desta publicação, leituras dos trechos do livro “Barras, vilas & amores”, do homenageado da noite, o querido & simpático cantor, compositor & escritor Martinho da Vila: nos 2 primeiros vídeos, apresento a atriz Dani Ornellas, que lê um trecho do livro em homenagem a Duas Barras, cidade natal do Martinho; nos 2 vídeos seguintes, a pianista, cantora & compositora Maíra Freitas canta “Alô Noel”, poema-canção de Cláudio Jorge, e lê um trecho do livro em homenagem a Vila Isabel; e no quinto & último vídeo, o desembargador, músico & compositor Wagner Cinelli lê um trecho do livro em homenagem ao primeiro grande poeta da Vila Isabel, Noel Rosa, além de contar histórias divertidíssimas da sua família, que esteve próxima do Noel.

Portanto, aos interessados, 3 assuntos que são grandes paixões na vida do Martinho da Vila: a sua cidade natal, Duas Barras; o bairro de Vila Isabel; e o primeiro grande poeta da Vila, Noel Rosa.

Mais vídeos chegarão!

Divirtam-se!

Beijo todos!
Paulo Sabino.
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(do site: Youtube. projeto: Ocupação Poética [4ª edição] — Teatro Cândido Mendes. local: Rio de Janeiro. data: 03/05/2016. Paulo Sabino apresenta a atriz Dani OrnellasDani Ornellas lê um trecho do livro Barras, vilas & amores, de Martinho da Vila.)

 

 

A vida dos bibarrenses, qualitativo de quem é de Duas Barras, anda sempre calma como as águas dos rios limítrofes, Rezende e Negro. O tranquilo município da região serrana do Rio de Janeiro tem como bons vizinhos Cordeiro, Cantagalo, Bom Jardim, Nova Friburgo, Carmo e Sumidouro. É a terra de Josuel Wermelingerthal Ferreira, bairrista de quatro costados, como gostava de se definir orgulhosamente.

Eu não sabia, mas descobri que “quatro costados” é uma expressão portuguesa referente à legitimidade, e concluí que pode dizer que é de quatro costados qualquer pessoa que tem orgulho do que é. Assim se sentem os meus conterrâneos de todos os cantos, de Monnerat, segundo distrito, onde fui registrado, à Fazenda do Campo; de Holofote à Vargem Grande; da Rancharia à Fazenda das Flores; do lugarejo da Queda do Tadeu ao da Cachoeira Alta.

(…)

Gostava muito de acompanhar procissões. As que mais apreciava eram as que tinham a participação da banda de música, como as da Ressurreição de Jesus e a de Nossa Senhora da Conceição.

A marcha religiosa mais bonita era a da Ressurreição, que transitava por todas as ruas da cidade. Nas janelas, os moradores estendiam toalhas e outros panos coloridos. Caminhavam até a casa do secretário de Cultura, que tinha um quintal vasto, e ali era rezada uma missa campal com cânticos alegres.

Aqui vale um insight: são fundamentais em pequenas cidades um padre carismático e um secretário de Cultura atuante e festeiro. O prefeito deve ser franco, cordial e se fazer presente em tudo. Dos batizados aos casamentos, dos nascimentos aos velórios. E o delegado tem de ser sorridente e cordial.

Em noite de plenilúnio, daquelas em que o clarão do encantador corpo celeste provoca sombra nos corpos terráqueos, o interessante espaço do mirante Vale Encantado, há poucos quilômetros do centro bibarrense, estava lotado. Zaguinha, arrendatário da lanchonete, de violão em punho entoava serestas, sem uso do microfone. Todos paravam de conversar para ouvi-lo interpretar “Noite cheia de estrelas”, de Cândido das Neves, e muitos o acompanhavam:

 

Noite alta, céu risonho/ A quietude é quase um sonho
O luar cai sobre a mata/ Qual uma chuva de prata/
De raríssimo esplendor
Só tu dormes, não escutas/ O teu cantor
Revelando à lua airosa/ A história dolorosa desse amor
Lua…

Manda a tua luz prateada/ Despertar a minha amada
Quero matar meus desejos/ Sufocá-los com os meus beijos
Canto…
E a mulher que eu amo tanto/ Não me escuta, está
dormindo
Canto e por fim/ Nem a lua tem pena de mim
Pois ao ver que quem te chama sou eu
Entre a neblina se escondeu
Lá no alto a lua esquiva/ Está no céu tão pensativa
As estrelas tão serenas/ Qual dilúvio de falenas/
Andam tontas ao luar
Todo o astral ficou silente/ Para escutar
O teu nome entre as endechas
E as dolorosas queixas/ Ao luar
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(do site: Youtube. projeto: Ocupação Poética [4ª edição] — Teatro Cândido Mendes. local: Rio de Janeiro. data: 03/05/2016. Maíra Freitas canta Alô Noel, de Cláudio Jorge. Maíra Freitas lê um trecho do livro Barras, vilas & amores, de Martinho da Vila.)

 

 

Alô Noel
Eu vou cantando o meu samba
E fazendo na vida o meu melhor papel
Bem feliz eu sonho
Ter uma vida tranquila
E morar numa vila
Em Vila Isabel

Pode ser em qualquer rua
Ou na praça Barão de Drummond
E até mesmo num barraco
Naquele macaco do meu coração
Na Teodoro da Silva
Lá nas Torres Homem ou na Souza Franco

Mas a Vinte e Oito é que é o biscoito
Pra ir pro Maraca caminhando a pé
Desfilar de azul e branco
E beber na Visconde de Abaeté

 

Morar no Rio foi uma realização pessoal. Encantado pela cidade, apaixonou-se por Vila Isabel. Gostava de história e foi logo se informar sobre a Barão de Drummond, que deu nome à antiga praça Sete.

É a principal praça do bairro, cujo nome foi dado em homenagem à data da instalação do gabinete do primeiro-ministro visconde do Rio Branco (7 de março de 1871), responsável pela elaboração da Lei do Ventre Livre, a qual determinava a libertação dos nascidos de mães escravas. Emocionou-se ao saber que o boulevard Vinte e Oito de Setembro foi assim denominado em homenagem à data em que foi assinada a Lei do Ventre Livre pela regente princesa Isabel, em 1871. Boulevard origina-se do francês e significa um tipo de via de trânsito, geralmente larga, com muitas pistas, ou dividida em dois sentidos. É nesse logradouro que fica a quadra da Unidos de Vila Isabel, onde assistiu a muitos ensaios, conquistou amizades… Fez muitos amigos na vila onde foi residir, na rua Teodoro da Silva, assim batizada em homenagem a Antonio Teodoro da Silva, que assinou a Lei Áurea com a princesa Isabel.
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(do site: Youtube. projeto: Ocupação Poética [4ª edição] — Teatro Cândido Mendes. local: Rio de Janeiro. data: 03/05/2016. Wagner Cinelli lê um trecho do livro Barras, vilas & amores, de Martinho da Vila.)

 

Violão ele aprendeu inicialmente com um irmão que dominava categoricamente o instrumento. Estudou também com os métodos de violão publicados nos jornais de modinha. Frequentava os saraus caseiros de Vila Isabel e ouvia com curiosa atenção os músicos que acompanhavam os seresteiros. Pode-se dizer que era um músico de ouvido. Como solista fazia uns acordes difíceis, que parecem errados, mas não são. Noel foi um autodidata e tornou-se um excelente violonista acompanhador. Participou de vários grupos musicais, inclusive o importante Bando de Tangarás, formado por Braguinha, Alvinho, Henrique Brito e Almirante. Tinha muito ritmo, tirava diferentes acordes. Por isso os grandes artistas da época gostavam de serem acompanhados por ele. Era o preferido do Francisco Alves, o mais famoso.

Ele também fez sucesso como cantor. Não era dotado de uma grande voz, mas tinha muito suingue. Participava de shows com os grandes cantores, inclusive fez dupla com Chico Alves, “O Rei da Voz”. O sucesso dele nos palcos não era pela voz, mas pelos trejeitos, pela atração pessoal e pelo repertório que apresentava, composto exclusivamente por composições próprias. As mais apreciadas pelo público eram as bem-humoradas, como “Conversa de botequim”, que cantava quase declamando, como se estivesse conversando com um garçom:

 

Seu garçom, faça o favor de me trazer depressa
Uma boa média que não seja requentada
Um pão bem quente com manteiga à beça
Um guardanapo e um copo d’água bem gelada
Feche a porta da direita com muito cuidado
Que eu não estou disposto a ficar exposto ao sol
Vá perguntar ao seu freguês do lado
Qual foi o resultado do futebol

Se você ficar limpando a mesa
Não me levanto nem pago a despesa
Vá pedir ao seu patrão
Uma caneta, um tinteiro
Um envelope e um cartão
Não se esqueça de me dar palitos
E um cigarro pra espantar mosquitos
Vá dizer ao charuteiro
Que me empreste umas revistas
Um isqueiro e um cinzeiro

Seu garçom, faça o favor de me trazer depressa
Uma boa média que não seja requentada
Um pão bem quente com manteiga à beça
Um guardanapo e um copo d’água bem gelada
Feche a porta da direita com muito cuidado
Que eu não estou disposto a ficar exposto ao sol
Vá perguntar ao seu freguês do lado
Qual foi o resultado do futebol

Telefone ao menos uma vez
Para três, quatro, quatro, três, três, três
E ordene ao seu Osório
Que me mande um guarda-chuva
Aqui pro nosso escritório
Seu garçom, me empresta algum dinheiro
Que eu deixei o meu com o bicheiro
Vá dizer ao seu gerente
Que pendure esta despesa
No cabide ali em frente

OCUPAÇÃO POÉTICA — TEATRO CÂNDIDO MENDES (4ª EDIÇÃO) — FOTOS & VÍDEOS: PAULO SABINO & TOM FARIAS

maio 9, 2016 - Leave a Response

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(Mais uma edição com a casa lotada)

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(O coordenador do projeto — Paulo Sabino — & o homenageado da noite — Martinho da Vila — antes da apresentação)

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(Alguns momentos do coordenador do projeto — Paulo Sabino)

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(Tom Farias)

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(Dani Ornellas)

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(Maria Ceiça)

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(Maíra Freitas)

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(Wagner Cinelli)

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(Zezé Motta)

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(Flávia Oliveira)

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(Maria Gal)

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(Ju Colombo)

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(Elisa Lucinda)

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(Geraldo Carneiro)

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(Martinho da Vila & Geraldo Carneiro)

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(Martinho da Vila, Paulo Sabino & Geraldo Carneiro)

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(O homenageado da noite — Martinho da Vila)

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(Os participantes — Paulo Sabino, Flávia Oliveira, Wagner Cinelli, Martinho da Vila, Elisa Lucinda, Zezé Motta, Geraldo Carneiro, Tom Farias, Maria Gal, Ju Colombo & Maíra Freitas)

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(O coordenador do projeto — Paulo Sabino — & o homenageado da noite — Martinho da Vila — depois da apresentação)

Coluna Gente Boa - O Globo

(Depois do evento, a super matéria da coluna “Gente Boa” — jornal “O Globo”)
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Gente amada, querida,

A quarta edição do projeto Ocupação Poética, no teatro Cândido Mendes, em Ipanema, no dia 3 de maio (terça-feira), em homenagem ao grande cantor, compositor & escritor Martinho da Vila, foi um esplendor, um arraso, um desbunde!

A beleza que o elenco (estelar) imprimiu com as suas leituras do livro “Barras, vilas & amores”, o mais recente do homenageado da noite, e com as histórias que cada um possui com o autor é inenarrável, indescritível, incomensurável.

Como sempre, depois de uma noite feliz & iluminada com a palavra, com a boa literatura, até hoje eu sou amor da cabeça aos pés!

Tudo divino-maravilhoso! Só recebi as melhores palavras & os mais carinhosos elogios do que conseguimos fazer.

A impressão que tenho é de que todos que foram à apresentação saíram de alma lavada, assim como eu.

Agradecer imensamente a participação de todos os envolvidos: Tom Farias, Geraldo Carneiro, Maíra Freitas, Elisa Lucinda, Zezé Motta, Maria Ceiça, Dani Ornellas, Flávia Oliveira, Wagner Cinelli, Ju Colombo, Maria Gal & Rafael Roesler Millon.

Meu agradecimento mais que especial ao mestre Martinho da Vila, uma lição de simpatia, bom-humor, simplicidade, elegância & inteligência. À Cléo Ferreira, esposa do mestre, pessoa especial, de quem gostei imediatamente por seu sorriso encantado & seu doce olhar.

Agradecer a todos os que foram & ajudaram a fazer a quarta edição da Ocupação Poética uma noite inesquecível para este que vos escreve com o coração nas mãos.

Aos interessados, 3 vídeos do evento: o primeiro, com a abertura da noite; o segundo, com o produtor da noite, o jornalista Tom Farias, lendo o prefácio do livro do homenageado escrito por José Vicente, reitor da Universidade Zumbi dos Palmares; e o terceiro, com o coordenador do projeto, Paulo Sabino, lendo um poema-canção do Martinho da Vila.

Espero que vocês gostem. Mais vídeos chegarão.

Valeu por tudo!

Junho tem mais! Aguardo vocês para a quinta edição!

Beijo todos!
Paulo Sabino.
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(do site: Youtube. projeto: Ocupação Poética [4ª edição] — Teatro Cândido Mendes. local: Rio de Janeiro. data: 03/05/2016. Paulo Sabino apresenta o projeto Ocupação Poética.)

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(do site: Youtube. projeto: Ocupação Poética [4ª edição] — Teatro Cândido Mendes. local: Rio de Janeiro. data: 03/05/2016. Tom Farias lê o prefácio do livro Barras, vilas & amores, escrito por José Vicente, reitor da Universidade Zumbi dos Palmares.)

 

 

UM GÊNIO DA CANÇÃO, UM ESCRITOR DE TALENTO REFINADO  (José Vicente)

 

Duas coisas me chamam bastante atenção quando se trata de escrever umas linhas como estas para um livro como este, do Martinho da Vila: a qualidade da narrativa e a história do seu autor. Aqui, a narrativa é, além da saborosa leitura que proporciona, o crème de la crème que enreda esta obra, desenvolvida em uma cadência extraordinária, com uma leveza que nos faz navegar no sabor de uma música de primeira, bem ao gosto do nosso exímio escritor. O segundo ponto tem a ver com o próprio Martinho. Passei boa parte de minha vida me deliciando com as suas canções, ora apenas como mero ouvinte, ora nos cantos de minha casa, tentando imitar a sua voz pausada, nas tiradas de muitos sambas geniais que são verdadeiras pérolas do nosso cancioneiro popular.

Mas como a vida é um eterno movimento, um verbo sempre ativo, eis-me aqui para falar de uma outra grande faceta desse genial cidadão brasileiro: a sua veia literária. Meu Deus, quanta responsabilidade! Mas lendo o seu livro, me senti envolvido por uma história que se semelha, guardadas as devidas proporções, com a de muitos brasileiros como eu ou como as de quem, porventura, ler estas linhas.

A busca de nossas origens, de nossa identidade ou de nossa ancestralidade, é o que nos move e o que nos motiva vida afora. Tem sido assim com a minha vida e com as vidas envolvidas nos projetos relacionados à Universidade Zumbi dos Palmares.

Martinho da Vila, como sambista e escritor, é desses valores que aprendemos a admirar e ter dentro do círculo de “melhor amigo”, como ser humano que é e como artista apreciado internacionalmente, pelas quizombas que provoca por aí. Mas quando se trata então do artista de muitas músicas de sucesso ou do narrador-revelação, autor de mais de uma dezena de livros e imortal da Academia Carioca de Letras, as proporções de grandeza, elevadas à culminância do respeito e do apreço, deixam aguçado em nós aquele alto sentido de responsabilidade.

Portanto, estas linhas têm o singelo papel de dizer que é e sempre será uma honra escrever sobre Martinho da Vila e sua obra. Todos sabem que não sou um literato, na estrita acepção da palavra, mas um grande admirador do nosso homenageado (…), a quem devoto o melhor do meu respeito.

Tudo isso para dizer que a leitura deste livro é um primeiro passo para se conhecer um pouco mais sobre o seu genial talento, em um momento tão especial, no qual, com muita felicidade, tornamos pública uma obra (…) sua, em uma importante parceria da SESI-SP Editora, o que torna essa iniciativa e este lançamento tão merecidamente importantes e desejados, fazendo jus a esse homem chamado Martinho da Vila.

Axé, meu irmão, valeu nosso Zumbi.
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(do site: Youtube. projeto: Ocupação Poética [4ª edição] — Teatro Cândido Mendes. local: Rio de Janeiro. data: 03/05/2016. Paulo Sabino recita Meu off-Rio, poema-canção de Martinho da Vila.)

 

 

MEU OFF-RIO  (Martinho da Vila)

 

Nos arredores, Cantagalo, Teresópolis
Nova Friburgo e Bom Jardim, bem no caminho
Meu off Rio tem um clima de montanha
E os bons ares vêm da serra de Petrópolis
É um lugar especial
Para quem é sentimental
E aprecia um gostoso bacalhau
O galo canta de madrugada
E a bandinha toca na praça
Na entrada há um vale
Que é encantado
Tem cavalgada, tem procissão
As cachoeiras principais de lá são duas
E a barra é limpa porque lá não tem ladrão
Tomo cachaça com os amigos
Lá em Cachoeira Alta
E na Queda do Tadeu, churrasco ao lago
Pra ir pro Carmo
Tem muita curva
E a preguiça então me faz ficar na praça
Eu nem preciso trancar o carro
A chave fica na ignição
A minha Vila fica meio enciumada
Se eu pego estrada e vou correndo para lá
Se alguém pergunta, eu não digo
Onde fica o tal lugar
Mas canto um samba para quem adivinhar
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(do site: Youtube. áudio extraído do ábum: Ao Rio de Janeiro. artista & intérprete: Martinho da Vila. canção: Meu off-Rio. autor da canção:Martinho da Vila. gravadora: Sony BMG Music.)

OCUPAÇÃO POÉTICA — TEATRO CÂNDIDO MENDES (4ª EDIÇÃO) — O TIME COMPLETO

abril 26, 2016 - Leave a Response

(Aqui, o elenco completo desta 4ª edição do projeto “Ocupação Poética”, coordenado por este que vos escreve.)

martinho-da-vila

(Martinho da Vila)

Geraldo Carneiro

(Geraldo Carneiro)

Elisa Lucinda

(Elisa Lucinda)

Zezé Motta

(Zezé Motta)

Maíra Freitas I

(Maíra Freitas)

Fernanda Abreu

(Fernanda Abreu)

Dani Ornellas

(Dani Ornellas)

Maria Gal

(Maria Gal)

José Vicente

(José Vicente)

Wagner Cinelli

(Wagner Cinelli)

Ju Colombo

(Ju Colombo)

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(Maria Ceiça)

Flávia Oliveira

(Flávia Oliveira)
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Anotem na agenda, espalhem a notícia, compartilhem esta publicação!

Dia 3 DE MAIO (terça-feira), às 20H: a 4ª edição do projeto OCUPAÇÃO POÉTICA, coordenado por ESTE QUE VOS ESCREVE, no teatro CÂNDIDO MENDES (Ipanema – Rio de Janeiro), com leituras baseadas no 14º livro do cantor, compositor, escritor & membro da ACADEMIA CARIOCA DE LETRAS (ACL), MARTINHO DA VILA, intitulado BARRAS, VILAS & AMORES.

A noite reserva GRANDE & LINDA SURPRESA aos espectadores!

Além da participação do poeta da Vila & da participação deste que vos escreve, o evento contará também com as participações para lá de ESPECIAIS:

– do poeta & dramaturgo GERALDO CARNEIRO, o grande homenageado da 3ª edição deste projeto;
– da poeta & atriz ELISA LUCINDA;
– da atriz ZEZÉ MOTTA;
– da cantora, compositora & pianista MAÍRA FREITAS;
– da cantora & compositora FERNANDA ABREU;
– da atriz DANI ORNELLAS;
– da atriz MARIA GAL;
– do reitor da Universidade Zumbi dos Palmares, JOSÉ VICENTE;
– do desembargador & músico WAGNER CINELLI;
– da atriz JU COLOMBO;
– da atriz MARIA CEIÇA;
– da jornalista FLÁVIA OLIVEIRA;

3 DE MAIO (terça-feira), às 20H, no teatro CÂNDIDO MENDES (Ipanema – Rio de Janeiro): a 4ª edição do projeto OCUPAÇÃO POÉTICA.

Coordenação do projeto: PAULO SABINO.

Esperamos todos!

 

SERVIÇO

Ocupação Poética – Teatro Cândido Mendes

Coordenação: PAULO SABINO

Produção: TOM FARIAS

Terça-feira (03/05)

Participantes: PAULO SABINO, GERALDO CARNEIRO, ELISA LUCINDA, ZEZÉ MOTTA, MAÍRA FREITAS, FERNANDA ABREU, DANI ORNELLAS, MARIA GAL, JOSÉ VICENTE, WAGNER CINELLI, JU COLOMBO, MARIA CEIÇA, FLÁVIA OLIVEIRA

Horário: 20h
Entrada: R$ 40,00 (inteira) / R$ 20,00 (meia)
Vendas antecipadas na bilheteria do teatro
End.: Joana Angélica, 63 – Ipanema, Rio de Janeiro. Tel.: (21) 2523-3663.
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(do livro: Barras, vilas & amores. autor: Martinho da Vila. editora: SESI-SP.)

 

 

INTRODUÇÃO

 

Ei, você aí que está comigo nas mãos!

Vai me ler?

Deve.

Se for em frente, conhecerá as minhas Duas Barras, que são três, mas cada uma é uma, e não mais que duas.

A primeira, meu off-Rio, é da região serrana, tema da escola de samba Unidos de Vila Isabel, cantada em desfile como parte integrante do enredo “Estado maravilhoso cheio de encantos mil”.

A outra, minha nova namorada, é tijucana, da cidade quatrocinquentona maravilha do Brasil.

Em ambas as Barras, da Serra e da Tijuca, rolam vilas e amores.

As vilas não passam de uma, porque é uma vila na Vila, berço do samba, da princesa e do barão de Drummond.

E os amores? Ah, os amores! Tem-se que vivenciar para acreditar, caminhando pelas margens das águas calmas das barras de rios da Barra que não é “uma barra”, e sim “barra limpa”, passeando na praça, passando pela banda ouvindo dobrados e vendo o tempo passar, devagar, devagarinho.

Bom também é seguir em direção à minha Vila de Noel, partir para outros caminhos, voltar à segunda Barra, dar um mergulho e caminhar até ver o Sol brilhar.

Tem-se que ler para crer… E entender a novela.
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(do álbum: Ao Rio de Janeiro. artista: Martinho da Vila. autor dos versos: Martinho da Vila. gravadora: Sony BMG Music.)

 

 

MEU OFF-RIO

 

Nos arredores, Cantagalo, Teresópolis
Nova Friburgo e Bom Jardim, bem no caminho
Meu off Rio tem um clima de montanha
E os bons ares vêm da serra de Petrópolis
É um lugar especial
Para quem é sentimental
E aprecia um gostoso bacalhau
O galo canta de madrugada
E a bandinha toca na praça
Na entrada há um vale
Que é encantado
Tem cavalgada, tem procissão
As cachoeiras principais de lá são duas
E a barra é limpa porque lá não tem ladrão
Tomo cachaça com os amigos
Lá em Cachoeira Alta
E na Queda do Tadeu, churrasco ao lago
Pra ir pro Carmo
Tem muita curva
E a preguiça então me faz ficar na praça
Eu nem preciso trancar o carro
A chave fica na ignição
A minha Vila fica meio enciumada
Se eu pego estrada e vou correndo para lá
Se alguém pergunta, eu não digo
Onde fica o tal lugar
Mas canto um samba para quem adivinhar
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(do site: Youtube. áudio extraído do ábum: Ao Rio de Janeiro. artista & intérprete: Martinho da Vila. canção: Meu off-Rio. autor da canção: Martinho da Vila. gravadora: Sony BMG Music.)

OCUPAÇÃO POÉTICA — TEATRO CÂNDIDO MENDES (3ª EDIÇÃO) — VÍDEOS: MARIA PADILHA, TONICO PEREIRA, LUANA VIEIRA & GERALDO CARNEIRO — ENCERRAMENTO

abril 8, 2016 - Leave a Response

Ocupação Poética_3ª edição 21

(Maria Padilha)

Ocupação Poética_3ª edição 22

(Luana Vieira & Tonico Pereira)

Ocupação Poética_3ª edição 12

(Tonico Pereira)

Ocupação Poética_3ª edição 27

(Geraldo Carneiro)

Ocupação Poética_3ª edição 04

(Com Maria Padilha & Tonico Pereira)

Ocupação Poética_3ª edição 08

(Com Luana Vieira)

Ocupação Poética_3ª edição 05

Ocupação Poética_3ª edição 06

(Com Geraldo Carneiro)

Ocupação Poética_3ª edição 25

Ocupação Poética_3ª edição 03

(Os participantes desta 3ª edição do projeto: Vitor Thiré, Luiza Maldonado, Danilo Caymmi, Paulo Sabino, Geraldo Carneiro, Camilla Amado, Maria Padilha, Alice Caymmi, Luana Vieira, Bruce Gomlevsky & Tonico Pereira)
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A quem possa interessar, os 5 últimos vídeos da 3ª edição do projeto “Ocupação Poética”, ocorrido no dia 24 de fevereiro (quarta-feira), no teatro Cândido Mendes (Ipanema – RJ), com a participação de um elenco estelar: Geraldo Carneiro, Bruce Gomlevsky, Tonico Pereira, Vitor Thiré, Maria Padilha, Camilla Amado, Luiza Maldonado, Luana Vieira, Danilo Caymmi & Alice Caymmi.

Nos vídeos desta publicação, poemas & traduções do grande homenageado da noite, o sofisticado poeta & dramaturgo, além de querido amigo, Geraldo Carneiro. Nos 3 primeiros vídeos, a atriz Maria Padilha recita 3 sonetos do poeta & dramaturgo inglês William Shakespeare, na tradução do Geraldo Carneiro: o “Soneto 76”, o “Soneto 138” & o “Soneto 116”. O último vídeo da atriz, recitando o “Soneto 116”, infelizmente, inicia com um corte na leitura do primeiro verso. O poema, na íntegra, encontra-se logo abaixo do vídeo, à leitura & sua total apreensão. No quarto vídeo, o ator Tonico Pereira & a atriz Luana Vieira, sob a direção de cena do ator & diretor Bruce Gomlevsky, interpretam o poema épico “Fabulosa jornada ao Rio de Janeiro”, recém-lançado na recém-lançada antologia poética — “Subúrbios da galáxia” — que comemora os quarenta anos de produção literária do grande homenageado da noite, Geraldo Carneiro, poema que narra, de maneira divertida & ao mesmo tempo crítica, a história da formação desta cidade de onde sou natural, São Sebastião do Rio de Janeiro. No quinto & último vídeo desta postagem, encerrando esta edição do projeto, o próprio Geraldo recita um poema do escritor baiano João Ubaldo Ribeiro, originalmente escrito em inglês & traduzido para o português pelo Geraldo Carneiro.

Espero que vocês tenham se divertido com o projeto tanto quanto nós, participantes, nos divertimos realizando.

Mais uma vez, o meu muito obrigado a todos os espectadores & participantes!

Agora, espero os senhores na quarta edição do projeto “Ocupação Poética”, no teatro Cândido Mendes (Ipanema), que está chegando (já temos a data definida, o homenageado & diversos participantes confirmados)! Mais à frente, maiores informações sobre a nova edição!

Até já!

Beijo todos!
Paulo Sabino.
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(do site: Youtube. projeto: Ocupação Poética [3ª edição] — Teatro Cândido Mendes. local: Rio de Janeiro. data: 24/02/2016. Maria Padilha recita o Soneto 76, do poeta & dramaturgo inglês William Shakespeare, tradução de Geraldo Carneiro.)

 

SONETO 76  (William Shakespeare / Tradução: Geraldo Carneiro)

 

Por que meu verso é sempre tão carente
De mutações e variação de temas?
Por que não olho as coisas do presente
Atrás de outras receitas e sistemas?
Por que só escrevo essa monotonia,
Tão incapaz de produzir inventos
Que cada verso quase denuncia
Meu nome e seu lugar de nascimento?
Pois saiba, amor, só escrevo a seu respeito
E sobre o amor, são meus únicos temas,
E assim vou refazendo o que foi feito
Reinventando as palavras do poema.
………….Como o sol, novo e velho a cada dia,
………….O meu amor rediz o que dizia.
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(do site: Youtube. projeto: Ocupação Poética [3ª edição] — Teatro Cândido Mendes. local: Rio de Janeiro. data: 24/02/2016. Maria Padilha recita o Soneto 138, do poeta & dramaturgo inglês William Shakespeare, tradução de Geraldo Carneiro.)

 

SONETO 138  (William Shakespeare / Tradução: Geraldo Carneiro)

 

Se minha bem amada diz que jura,
Eu creio, embora saiba que ela mente:
Que ela não me suponha sem cultura
Nas falsas sutilezas dessa gente.
Finjo que ela me considera moço,
Embora ela me saiba já passado.
À falsa lábia dela dou meu endosso:
Suprimo a realidade dos dois lados.
Mas por que ela não diz que é insincera?
Por que eu não digo que sou veterano?
O amor é sábio se parece à vera
E tem horror que alguém lhe conte os anos.
………….Mentimos um ao outro e assim confio
………….Nas mentiras de nossos elogios.
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(do site: Youtube. projeto: Ocupação Poética [3ª edição] — Teatro Cândido Mendes. local: Rio de Janeiro. data: 24/02/2016. Maria Padilha recita o Soneto 116, do poeta & dramaturgo inglês William Shakespeare, tradução de Geraldo Carneiro.)

 

SONETO 116  (William Shakespeare / Tradução: Geraldo Carneiro)

 

Não tenha eu restrições ao casamento
De almas sinceras, pois não é amor
O amor que muda ao sabor do momento
Ou se move e remove em desamor.
Oh, não: o amor é marca mais constante,
Que encara a tempestade e não balança,
É a estrela-guia dos batéis errantes,
Cujo valor lá no alto não se alcança.
O amor não é o bufão do tempo, embora
Sua foice desfigure o lábio e a face.
O amor não muda com o passar das horas,
Mas se sustenta até seu desenlace.
Se isso é erro meu, e assim provado for,
Nunca escrevi, ninguém jamais amou.
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(do site: Youtube. projeto: Ocupação Poética [3ª edição] — Teatro Cândido Mendes. local: Rio de Janeiro. data: 24/02/2016. Tonico Pereira e Luana Vieira interpretam o poema Fabulosa jornada ao Rio de Janeiro. autor: Geraldo Carneiro. direção de cena: Bruce Gomlevsky.)

 

FABULOSA JORNADA          (Geraldo Carneiro)
AO RIO DE JANEIRO

(rap-rapsódia exaltação)

 

1. De como eu, Brás Fragoso, vim dar
às terras do Brasil, por ordem de el-rei
Dom Sebastião, o Desejado

Rio-verão, pós Eva e Adão, cheguei:
segundo a lenda, os outros navegantes
que por este cenário navegaram
supunham que aqui fosse foz de um rio,
ou chamava-se “rio” a qualquer angra;
e como o mês talvez fosse janeiro,
chamaram o sítio Rio de Janeiro,
futura foz de tanta fantasia.

eu vim com a armada de Estácio de Sá,
fidalgo, primo do Governador,
para tomar o Rio dos franceses
…………heréticos blasfemos protestantes
…………traficantes da Caesalpinia echinata
……………………………………vulgo pau-brasil
…………o ouro original de nossas matas.

como se não bastasse esse pecado,
ainda faziam com nossas nativas
o mesmo que Jacó fez com Raquel
e Davi praticou com Betsabá.

assim se originou minha odisseia:
eu mal sabia das desaventuras
que mudariam todo o meu futuro,
por força de meus sonhos naufragados;
e embora batizado Brás Fragoso,
aqui meu nome, Brás, virou Brasil,
e o Fragoso tornou-se Naufragoso.
mas pra saber dessa aventura inglória,
há que saber, no entanto, a minha história.

 

2. Breve retrospecto das condições
adversas em que encontrei a terra do
Rio de Janeiro

na baía da Guanabara
não havia como apartar o joio do joio
era tamoio ligado com francês
era francês ligado com tamoio

TUDO DOMINADO

os donos do tráfico os traficantes
todo mundo cantando em coro:

(Entra o funk “Tá tudo dominado”,
com a voz processada pelo DJ, misturando
frases em diversas línguas.)

todos os tamoios nas trapaças
……………………dos franceses
colonizados no Forte Coligny
……………………colignyzados
só quem não fazia parte da tramoia
……………………era Arariboia
ex-cacique exilado em Cabo Frio
……………………agora office-tupinamboy
não podia nem desembarcar em Niterói
você não sabe como é que dói.

 

3. De como encontramos no Brasil um
aliado paranormal, sem o qual nossa
vitória seria impossível

felizmente, além da fé e da razão,
tínhamos do nosso lado um super-herói:
o irmão José de Anchieta.

Anchieta, com o perdão da má palavra,
era um jesuíta carne de pescoço,
conversava com os bichos e com as feras,
chamava urubu de meu brother
e papagaio de meu louro,
e quando não tinha homem branco
……………………urubuzando por perto
Anchieta andava sobre as águas
e de vez em quando voava,
voava sobre a terra e sobre o mar,
nunca deixando um português olhar
porque nós, o pessoal de Portugal,
somos mais burros do que São Tomé:
necessitamos ver para não crer.

Anchieta, não contente em escrever
a primeira gramática da língua tupi,
ainda ensinou os índios a dizer
goodbye, arrivederci, hasta la vista
tudo isso no mais perfeito latim.

e quando alguém era inimigo do império
………………………………./ de Portugal,
Anchieta baixava o pau.

graças a ele e aos seus superpoderes,
superamos as tempestades do verão
& no dia primeiro de Março
desembarcamos cá para fundar
entre o Cara de Cão e o Pão de Açúcar
esse projeto de esplendor à beira-mar:
São Sebastião do Rio de Janeiro.

 

4. De como fizemos o desembarque,
comandados por Estácio de Sá

aqui fincamos nossos estandartes.
e Estácio começou a dizer suas palavras,
“Em nome de el-rei Dom Sebastião”,
etc. e tal,
mas ninguém lhe prestou atenção.
porque vimos, através do olhar de Anchieta,
o espírito de Deus se mover sobre a face
………………………………………………/ das águas.
depois Deus apartando a luz das trevas
depois Deus chamando a luz de Dia
e chamando as trevas de Noite,
e da noite e da manhã fez-se o primeiro dia.

e Deus chamou o firmamento de Céu,
e Deus separou as águas e as terras,
e etc. etc.
e nós, maravilhados, assistindo ao Gênesis
…………no camarote vip na Praia Vermelha.

fomos erguendo a nossa paliçada,
tudo miraculosamente bem,
até que no sexto dia, na hora do descanso,
os tamoios mandaram em cima da gente
uma chuva de flechadas.

Anchieta tentou segurar a rapaziada
dizendo que Deus ia nos proteger,
ia salvar a nossa vida,
mas neguinho já tava careca de levar
………………………………………flecha perdida.

 

5. De como sobrevivi à chuva
de flechadas

um mês depois, o Anchieta se mandou.
e nós aqui, na chuva de flechada,
tomando pau, borduna e cacetada,
comendo o pão que Belzebu amassou.

pensei até em escrever uma epopeia
contando tantos feitos e malfeitos.
mas não achei herói de nenhum lado:
Estácio era um rapaz meio fechado,
e o chefe dos tamoios, Aimberê,
com esse nome, não dava pra escrever.

(Entra uma índia belíssima, com figurino de
Jean-Paul Gautier em versão tropical.)

foi então que encontrei Paraguaçu,
a teteia top model do Baixo Grajaú.
Paraguaçu, falsificada de pai e mãe,
foi trazida aos doze anos do Paraguai,
e aqui, nas praias da Guanabara,
adquiriu a cultura francesa,
conhecia o fleur de rose
o ne me quitte pas
o voulez-vous coucher avec moi.

por obra e graça de Paraguaçu,
eu desisti de ser só português.
e assim me transformei em portugaio,
cruza de português com paraguaio.

 

6. De como fui me adaptando ao
modo de vida da mui leal cidade de
São Sebastião do Rio de Janeiro

e foi assim que eu me tornei mestiço
ou seja, nem isso nem aquilo
imaginei que eu era o poeta Sá de Miranda
só admirando os prodígios do Novo Mundo
fiquei doidão, curtindo a realidade
da mui leal cidade de São Sebastião
só fumando & espiando o movimento
tupinambá de olho na pulseirinha da turista
cunhã na pista oferecendo os balangandãs
tupinambá malhando exibindo o corpão
e eu vendo cada coisa do balacobaco
fumando esse negócio chamado tabaco

achei que tinha chegado ao Paraíso,
pensei em me lembrar de certos versos
que celebravam as graças do universo
mas não lembrei foi xongas, nada não
de tanto que fumei meu baseadão

 

7. De como percebi que as aparências
são enganadoras no Novo Mundo
e desejei sinceramente ter ficado em
Portugal

de repente, acabou-se o que era doce
Paraguaçu, minha deusa paraguaia,
aproximou-se do meu guarda-sol
à sombra das bananeiras em flor e disse:

PARAG.: “Eu queria te comer todinho.”
sorri, sem compreender a ambiguidade
que estava por detrás da fala dela, mas já
escolado na fala local, lhe respondi:

BRÁS: “Não é uma frase muito apropriada
pra uma índia bem-educada, mas eu aprecio
a ideia, tô dentro.”

PARAG.: “Tá dentro é do moquém.”

BRÁS: “Que diabo é moquém? Quem te en-
sinou a falar assim, quem?

PARAG.: “Meus ancestrais, a minha mãe,
a mãe da minha mãe (em francês), mes amis
tupis. Tupãna, Tupã.”

ela então começou a me apalpar.

BRÁS: (gostando) “Não adianta me apalpar,
que eu só gosto mesmo é naquele lugar.”

PARAG.: (sorrindo) “Eu vou ficar só com
as tuas vísceras. Tua cabeça quem vai comer
é Aimberê, depois de te baixar a borduna.
Os curumins vão beber o teu caldinho.”

BRÁS: (com terror) “Paraguaçu, você não pode
fazer uma coisa dessas comigo! Eu sou
teu irmão, teu amásio, teu amigo!”

 

8. De como recorri à Divina Providência,
porque era esta a última providência que 
me restava tomar

eu que ainda era mais ou menos moço
não tinha idade pra virar almoço
filé sem osso alcatra bacalhau
pra um bando de tamoio canibal,
e furibundo dirigi-me aos céus:
“Ora, Senhor, que tanto me maltratas:
Já me trouxestes a este cu do judas,
E, para arrematar, ainda me matas?”

(Ouve-se um estrondo ao fundo.)

então ouviu-se um estrondo de canhão:
chegaram galeões de Portugal!
e eu assisti do morro do Castelo
ao embate o arranca-rabo o xeque-mate
sem saber qual era o bem, qual era o mal.

 

9. De como a minha história chegou ao
juízo final, ou à desgraciosa falta dele

e veio a guerra e veio a destruição
Paraguaçu fugiu com um temiminó
e foi passar o verão em Guarapari
Aimberê, coitado, foi pras cucuias
virou constelação tupinambá
Estácio tomou uma flecha na cara
morreu flechado como nosso padroeiro
São Sebastião do Rio de Janeiro

e vi todas aquelas almas voando
as almas são mais leves do que o ar
se é que há mesmo almas neste mundo
se não as há, talvez haja mais além
onde os pedaços desconexos da vida
onde os pedaços desconexos
onde os pedaços
lá onde a vida se rejubile
e as alegrias passem em desfile
na Marquês de Sapucaí do infinito

só sobrei eu, já meio soçobrado
só eu: a obra e a sobra
todas as minhas nações e encarnações
para sempre aqui
eu era agora carioca
malocado na minha maloca
num muquifo no Cortiço
ou num barraco do Morro da Favela
ex-Brás Fragoso agora apelidado
Brasil Naufragoso
porque minha alma naufragou aqui
aqui fiquei e aqui me edifiquei
e o pior é que gostei
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(do site: Youtube. projeto: Ocupação Poética [3ª edição] — Teatro Cândido Mendes. local: Rio de Janeiro. data: 24/02/2016. Geraldo Carneiro recita Quase soneto a quatro mãos, poema escrito originalmente em inglês por João Ubaldo Ribeiro, tradução de Geraldo Carneiro.)

 

(poema escrito originalmente em inglês por: João Ubaldo Ribeiro. tradução: Geraldo Carneiro.)

 

QUASE SONETO A QUATRO MÃOS

 

até a morte eu me atormentarei
pelo que descobri e não encontrei,
pelo que, pascaliano como sou,
eu compreendi e ainda assim maldigo.
sou o idiota mais perfeito, aliás,
por feito mais de carne que de gás.
é esse fado que me leva adiante
num mundo para o qual não sou prestante.
tudo o que tenho as mulheres me deram:
consolação, razão para existir.
benditas, berenices, beneditas,
também sejam benditos meus amigos,
pois gosto deles, tenham longa vida,
e até eu mesmo, que não a mereço,
mas que a observo e sei qual é seu preço.

OCUPAÇÃO POÉTICA — TEATRO CÂNDIDO MENDES (3ª EDIÇÃO) — VÍDEOS: ALICE CAYMMI & DANILO CAYMMI

março 25, 2016 - Leave a Response

Ocupação Poética_3ª edição 16

(Alice Caymmi)

Ocupação Poética_3ª edição 17

(Danilo Caymmi)

Ocupação Poética_3ª edição 15

(Danilo & Alice Caymmi)

Alice Caymmi_Aniversário

(No aniversário da Alice, alguns dias atrás)
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A quem desejar, 5 vídeos da 3ª edição do projeto “Ocupação Poética”, ocorrido no dia 24 de fevereiro (quarta-feira), no teatro Cândido Mendes (Ipanema – RJ), com a participação de um elenco estelar: Geraldo Carneiro, Bruce Gomlevsky, Tonico Pereira, Vitor Thiré, Maria Padilha, Camilla Amado, Luiza Maldonado, Luana Vieira, Danilo Caymmi & Alice Caymmi.

Nos vídeos desta publicação, os versos do grande homenageado da noite, o refinado poeta & dramaturgo, além de querido amigo, Geraldo Carneiro, e um poema-canção do mestre baiano Dorival Caymmi: em 3 vídeos, a cantora & compositora Alice Caymmi recita os poemas “O elogio dos soníferos”, “Conspirações” & “Dissonância”, todos do Geraldo Carneiro. No quarto & último vídeo da artista, ela canta a “Canção da noiva”, do poeta-compositor — seu avô — Dorival Caymmi. No quinto & último vídeo desta postagem, o cantor & compositor Danilo Caymmi, além de falar divertidamente sobre o seu pai no cinema (um verdadeiro “galã russo”), interpreta, juntamente com a Alice, a “Canção do amor rasgado”, nascida da parceria entre o Danilo Caymmi & o Geraldo Carneiro.

Mais vídeos chegarão!

Divirtam-se!

Beijo todos!
Paulo Sabino.
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(do site: Youtube. projeto: Ocupação Poética [3ª edição] — Teatro Cândido Mendes. local: Rio de Janeiro. data: 24/02/2016. Alice Caymmi recita O elogio dos soníferos, poema de Geraldo Carneiro.)

 

O ELOGIO DOS SONÍFEROS  (Geraldo Carneiro)

 

soníferos eu lanço contra as feras

que me devoram a solidez do sono.

a solidão em si não me apavora.

os outros são o inferno, o purgatório

e às vezes são também o paraíso.

não sei do inverno que virá ou não

virá, ainda não formei juízo.

aliás, juízo sempre me faltou

e há de faltar, espero, até a morte,

esse capítulo da história natural,

contra o qual não farei rebelião.

amparo metafísico? não tenho.

invejo o céu, a dança das esferas,

morro de inveja do Ptolomeu,

vagando a salvo nas cosmologias

com Deus no centro, o resto ao seu redor.

não tenho centro, cetro ou direção.

a mim só não me falta coração
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(do site: Youtube. projeto: Ocupação Poética [3ª edição] — Teatro Cândido Mendes. local: Rio de Janeiro. data: 24/02/2016. Alice Caymmi recita Conspirações, poema de Geraldo Carneiro.)

 

CONSPIRAÇÕES  (Geraldo Carneiro)

 

alguma coisa se desprende do meu corpo

……………………………………………………..e voa

não cabe na moldura do meu céu.

sou náufrago no firmamento.

o vento da poesia me conduz além de mim

o sol me acende

…………………………….estrelas me suportam

Odisseu nos subúrbios da galáxia.

amor é o que me sabe e o que me sobra

outro castelo que naufraga

como tantos que a força do meu sonho

quis transformar em catedrais.

ilusões? ainda me restam duas dúzias.

conspirações de amor, talvez não mais
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(do site: Youtube. projeto: Ocupação Poética [3ª edição] — Teatro Cândido Mendes. local: Rio de Janeiro. data: 24/02/2016. Alice Caymmi recita Dissonância, poema de Geraldo Carneiro.)

 

DISSONÂNCIA  (Geraldo Carneiro)

 

depois do dia em que você morreu

(ou só morreu aqui dentro de mim)

enlouqueci, fiquei fora de si,

exorbitei, gastei exorbitâncias,

as ânsias do passado e do futuro.

em suma, eu me matei ou me morri

depois ressuscitei e recitei

meus paradoxos, minhas paralaxes,

perdi a fé, o centro, o astro rei

os para-lamas da minha sintaxe,

só me restando como contraforte

o dom de me entranhar noutras criaturas

e fabricar fragmentos de poesia,

eu kamikaze de mim mesmo

extravagando a esmo à-toa ao léu

sem direção, sem coração, sem lua

desorbitado para além de mim
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(do site: Youtube. projeto: Ocupação Poética [3ª edição] — Teatro Cândido Mendes. local: Rio de Janeiro. data: 24/02/2016. Alice Caymmi canta Canção da noiva, poema-canção de Dorival Caymmi.)

 

CANÇÃO DA NOIVA  (Dorival Caymmi)

 

É tão triste ver partir
Alguém que a gente quer
Com tanto amor
E suportar a agonia
De esperar voltar

Viver olhando o céu e o mar
A incerteza a torturar
A gente fica só
Tão só
A gente fica só
Tão só

É triste esperar…
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(do site: Youtube. áudio extraído do álbum: Caymmi visita Tom. artistas: Tom Jobim / Dorival Caymmi. canção: Canção da noiva. autor: Dorival Caymmi. intérprete: Stella Caymmi. gravadora: Universal Music.)


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(do site: Youtube. projeto: Ocupação Poética [3ª edição] — Teatro Cândido Mendes. local: Rio de Janeiro. data: 24/02/2016. Danilo Caymmi & Alice Caymmi cantam Canção do amor rasgado, poema-canção de Danilo Caymmi & Geraldo Carneiro.)

 

CANÇÃO DO AMOR RASGADO  (Geraldo Carneiro)

 

Meu amor, te amo

Quantas mil vezes te amo

Mar que se instalou dentro de mim

Meu amor, te quero

Mesmo quando não te quero

Meu céu é quando estás perto de mim

De tanto sonhar com tuas artes

Me dispersei, não sei de mim

Sim, me descobri

Só conheci a solidão

Antes de ter a luz do teu amor
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(do site: Youtube. áudio extraído do álbum: Alvear. artista & intérprete: Danilo Caymmi. canção: Canção do amor rasgado. música: Danilo Caymmi. poema: Geraldo Carneiro. gravadora: Biscoito Fino.)

 

OCUPAÇÃO POÉTICA — TEATRO CÂNDIDO MENDES (3ª EDIÇÃO) — VÍDEOS: CAMILLA AMADO, GERALDO CARNEIRO, VITOR THIRÉ & LUIZA MALDONADO

março 23, 2016 - Leave a Response

Ocupação Poética_3ª edição 26

(Camilla Amado & Geraldo Carneiro)

Ocupação Poética_3ª edição 18

(Vitor Thiré & Luiza Maldonado)
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A quem possa interessar, 3 vídeos da 3ª edição do projeto “Ocupação Poética”, ocorrido no dia 24 de fevereiro (quarta-feira), no teatro Cândido Mendes (Ipanema – RJ), com a participação de um elenco estelar: Geraldo Carneiro, Bruce Gomlevsky, Tonico Pereira, Vitor Thiré, Maria Padilha, Camilla Amado, Luiza Maldonado, Luana Vieira, Danilo Caymmi & Alice Caymmi.

Em todos os vídeos desta publicação, textos do grande homenageado da noite, o requintado poeta & dramaturgo, além de querido amigo, Geraldo Carneiro: nos 2 primeiros vídeos, a atriz Camilla Amado, juntamente com Geraldo Carneiro, recita “Miragem em abismo”, “Filosofia” & “O sopro da deusa”. No terceiro & último vídeo, o ator Vitor Thiré & a atriz Luiza Maldonado interpretam um trecho da peça “Romeu e Julieta”, do poeta & dramaturgo inglês William Shakespeare, na tradução do Geraldo Carneiro & sob a direção do ator & diretor Bruce Gomlevsky.

No primeiro vídeo, no vídeo que abre as publicações, notem que falo sobre um imbróglio, com gritos da platéia: o teatro lotou & algumas pessoas, depois de iniciado o espetáculo, não conseguiram entrar — não havia mais assentos disponíveis. No entanto, ao fim de tudo, tudo deu certo & todos se acomodaram.

Mais vídeos chegarão!

Divirtam-se!

Beijo todos!
Paulo Sabino.
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(do site: Youtube. projeto: Ocupação Poética [3ª edição] — Teatro Cândido Mendes. local: Rio de Janeiro. data: 24/02/2016. Camilla Amado e Geraldo Carneiro recitam Miragem em abismo e Filosofia, poemas de Geraldo Carneiro.)

 

MIRAGEM EM ABISMO  (Geraldo Carneiro)

 

não sei de que tecido é feito o ser.

meus planos sonhos enganos

se tecem na fábrica da vida

e se destecem na arquitetura do caos.

vou criando edifícios em que me

…………………………………..demoro

e de onde salto em busca de não sei.

meu ser é parte dessa miragem

…………………………………..em abismo

um espelho em que me não vejo

e em me não vendo acendo a chama

que se chama desejo.

 

talvez do outro lado exista um cais.

sei que sempre existe certa distância

…………………………………..entre mim

e o circo da minha circunstância

 

FILOSOFIA  (Geraldo Carneiro)

 

o tempo é uma ficção criada há pouco

…………………………………………………tempo.

será desinventada no futuro

onde as rosas prescindem do jardim.

o tempo do relógio é uma miragem

tão irreal quanto qualquer camelo

passando no buraco de uma agulha.

metáforas são flores do pensamento

pensadas para que se possa pressentir

que o tempo é uma aventura aqui,

…………………………………………………agora

que se eterniza ou sequer agoniza:

se precipita no caos

de onde as naus nunca regressarão

porque haveria sempre um tempo a mais

entre uma nau e a ideia do seu cais.
______________________________________________________

(do site: Youtube. projeto: Ocupação Poética [3ª edição] — Teatro Cândido Mendes. local: Rio de Janeiro. data: 24/02/2016. Camilla Amado e Geraldo Carneiro recitam O sopro da deusa, poema de Geraldo Carneiro.)

 

O SOPRO DA DEUSA  (Geraldo Carneiro)

 

me deleito no leito da poesia

a deusa que me acolhe com constância.

as outras, conforme a circunstância,

a fome de inventar o vento-amor.

sopro suas velas e ela se revela

em sua precariedade e seu esplendor.

é um rito que repito sem saber

se outra mão ampara a minha mão,

se sou ou se não sou conquistador

dessas conquistas feitas só de éter.

minhas palavras nunca foram minhas,

mas foram me forjando com sua força

até que me tornasse esse não-ser

feito de arquiteturas sem lugar

senão no reino-sonho que fundei.

essas palavras sopram-me presságios

e nelas plantarei os meus naufrágios.
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(do site: Youtube. projeto: Ocupação Poética [3ª edição] — Teatro Cândido Mendes. local: Rio de Janeiro. data: 24/02/2016. Vitor Thiré e Luiza Maldonado interpretam um trecho da peça Romeu e Julieta. autor da peça: William Shakespeare. tradução: Geraldo Carneiro. direção de cena: Bruce Gomlevsky.)

 

(trecho da peça: Romeu e Julieta. autor: William Shakespeare. tradução: Geraldo Carneiro.)

 

De     ROMEU E JULIETA

(A cena do balcão: Romeu contempla Julieta à janela, oculto no jardim da mansão dos Capuletos.)

 

— Romeu

Que luz é essa que irrompe na janela?
Será o nascente, e Julieta é o sol?
Levanta, sol, e assim mata essa lua,
Que já está pálida com a dor da inveja
Por seres tão mais bela do que ela.
[…]
É a minha amada, oh sim: é o meu amor.
Quisera ela soubesse o que ela é!
Ela fala, ainda quando não diz nada.
Seu olhar discursa: quero responder.
Sou um atrevido: não é a mim que ela fala.
Duas dentre as estrelas mais bonitas
Que há em todo o céu, por terem outros deveres,
Deixaram esplandecendo os olhos dela
Em suas esferas, até que voltassem.
E se seus olhos estivessem lá,
E elas aqui? O brilho do seu rosto
Causaria vergonha nas estrelas,
Como o brilho do dia faz com as velas,
Seus olhos lá no céu brilhariam tanto
Que até os passarinhos cantariam,
Pensando que não fosse mais noite.
Como ela ampara o rosto sobre a mão!
Ah, se eu fosse essa luva em sua mão,
Se eu pudesse tocar aquele rosto!

— Julieta

Ai de mim!

— Romeu

(à parte, encantado)  Ela fala!
Fala de novo, anjo esplendoroso,
Pois esplandeces tanto nesta noite
Suspenso acima da minha cabeça,
Como se fosse um mensageiro alado
Do céu, diante dos olhos encantados
Dos mortais, que se inclinam pra admirar-te
Quando cavalgas nuvens vagarosas
E sobre o seio do ar vais navegando.

— Julieta

Ó Romeu, Romeu. Por que és Romeu?
Nega teu pai, recusa esse nome;
Senão, é só jurar-me o teu amor,
E eu já não serei uma Capuleto.

— Romeu

(à parte)
Escuto mais, ou devo responder?

— Julieta

É só teu nome que é meu inimigo.
Tu és tu mesmo, não és um Montéquio.
O que é um Montéquio? Não é mão, nem pé,
Nem braço ou rosto, ou qualquer outra parte
Que a alguém pertença. Encarna um outro nome.
O que há num nome? O que chamamos rosa
Com outro nome perde o seu perfume?
[…]
Romeu, despe o teu nome, e em vez do nome,
Que não faz parte do teu ser,
Toma posse completa de mim mesma.

— Romeu

Tomo posse de ti por tua palavra!
Basta que tu me chames meu amor,
E então serei de novo batizado.
De hoje em diante, não serei Romeu.

— Julieta

Quem és que sob a tela desta noite
Assim penetras no meu pensamento?

— Romeu

Por um nome não posso apresentar-me.
Meu nome, minha querida, é detestável
Pra mim mesmo, porque é teu inimigo.
Se eu o tivesse escrito, eu o rasgaria.

— Julieta

Ainda não escutei nem cem palavras
Da tua voz, mas já sei qual é o seu som.
Será que não és Romeu e não és Montéquio?

— Romeu

Nenhum dos dois, se a ti desagradam.

— Julieta

Como chegaste aqui, me diz? Por onde?
Os muros do pomar são muito altos,
Difíceis de escalar, vai ser tua morte,
Se algum parente meu te achar aqui.

— Romeu

Saltei esses muros com as asas do amor.
Não há limites de pedra contra o amor.
E o que o amor não conquista, quando ousa?
Teus parentes não podem me conter.

— Julieta

Se eles te virem aqui, vão te matar.

— Romeu

Tem mais perigo morando em teus olhos
Que em cem de suas espadas. Só me basta
Que me olhes com doçura e isso me guarda
Contra qualquer inimizade deles.

— Julieta

Por nada quero que te vejam aqui.

— Romeu

Tenho o manto da noite que me esconde.
Se não me amares, deixa que me encontrem.
Prefiro que o ódio acabe com a minha vida,
Que a morte adiada, sem o teu amor.

— Julieta

Quem te ensinou a vir a este lugar?

— Romeu

O amor foi quem me fez investigar,
Me aconselhou, e eu lhe emprestei meus olhos.
Não sou navegador, mas se estivesses
Na praia mais distante deste mundo,
Ao vasto mar eu me aventuraria
Para alcançar essa mercadoria.

— Julieta

Sabes que a máscara da noite está em meu rosto,
Senão eu coraria de vergonha
Por teres escutado o que eu falei.
Quisera ter mantido a cerimônia,
Quisera desmentir o que eu já disse.
Mas adeus, compostura! Tu me amas?
Já sei que dirás sim, e aceitarei
Tua palavra. Ainda que, se jurasses,
Podia ser que te mostrasses falso.
Dizem que as falsas juras dos amantes
Fazem Júpiter rir. Gentil Romeu,
Se tu me amas, proclama a tua fé.
Ou, se julgares que sou muito fácil,
Serei malvada e te direi que não,
Para que tenhas que me cortejar.
Senão, belo Montéquio, nem pensar!
Sinceramente, eu estou apaixonada;
Por isso podes me julgar leviana.
Mas acredites que sou mais sincera
Do que essas que simulam mais recato.
Confesso que eu seria mais discreta,
Se não escutasses sobre o meu amor
Sem que eu soubesse. Eu te peço perdão.
Não consideres um amor leviano
Esse que a escura noite assim mostrou.

— Romeu

Senhora, por essa bendita lua
Que enche de prata as copas destas árvores,
Eu juro…

— Julieta

…………..Não, não jures pela lua,
Que muda a cada mês em sua órbita,
Para que teu amor não mude igual.

— Romeu

Então por que é que eu vou jurar?

— Julieta

………………………………………………..Por nada.
Ou se quiseres jura por ti mesmo,
Porque és o deus da minha adoração.
E vou acreditar.

— Romeu

Se o meu amor —

— Julieta

(cortando)
Não jura, não.
Embora eu tenha em ti minha alegria,
Não me alegra essa aliança em meio à noite,
Tão brusca, repentina e tão imprevista,
Como um relâmpago que logo apaga
Antes que alguém proclame a sua luz.
Boa noite, amor. Que o sopro do verão
Transforme esse botão de amor em flor
Quando nos encontrarmos outra vez.
Boa noite, e que tenhamos toda a calma
Tanto em teu coração quanto em minha alma.

— Romeu

Vais me deixar assim insatisfeito?

— Julieta

Mas que satisfação querias hoje?

— Romeu

Que nós trocássemos juras de amor.

— Julieta

Já fiz as minhas, antes que pedisses.
E ainda quero fazê-las outra vez.

— Romeu

Você as retiraria, amor? Por quê?

— Julieta

Só pra ser franca, e fazê-las de novo.
Mas só estou desejando o que já tenho.
A generosidade em mim é um mar:
Meu amor por ti é fundo e é infinito,
Quanto mais dou, mais tenho para dar.
(Julieta ouve o chamado da Ama.)
Ouvi um barulho em casa. Adeus, amor.
[…] Sejas sincero, meu doce Montéquio.
Fica um pouquinho mais, eu volto já.

(Julieta sai)

— Romeu

Ó noite abençoada, tenho medo
Que, por ser noite, seja tudo um sonho
Doce demais para ser verdadeiro.

(Julieta reaparece)

— Julieta

Três palavras, Romeu, depois boa noite.
Se as tuas intenções de amor são sérias,
Se o teu propósito é o casamento,
Manda comunicar-me quando e onde
Pretendes realizar a cerimônia,
Por quem te procurar da minha parte,
Que eu depositarei tudo o que tenho
Aos teus pés, para então seguir contigo
Até o final do mundo, meu senhor.

OCUPAÇÃO POÉTICA — TEATRO CÂNDIDO MENDES (3ª EDIÇÃO) — VÍDEOS: PAULO SABINO & BRUCE GOMLEVSKY

março 15, 2016 - Leave a Response

Ocupação Poética_3ª edição 20

(Paulo Sabino)

Ocupação Poética_3ª edição 19

(Bruce Gomlevsky)
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Aos interessados, 5 vídeos da 3ª edição do projeto “Ocupação Poética”, ocorrido no dia 24 de fevereiro (quarta-feira), no teatro Cândido Mendes (Ipanema – RJ), com a participação de um elenco estelar: Geraldo Carneiro, Bruce Gomlevsky, Tonico Pereira, Vitor Thiré, Maria Padilha, Camilla Amado, Luiza Maldonado, Luana Vieira, Danilo Caymmi & Alice Caymmi.

Em todos os vídeos desta publicação, poemas do grande homenageado da noite, o requintado poeta & querido amigo Geraldo Carneiro: nos 2 primeiros vídeos, este que vos escreve recita “A voz do mar” & “Juízo final”. Ao fim do segundo vídeo, anuncio o próximo convidado: o diretor artístico da noite (juntamente com o Geraldo Carneiro), o ator & diretor Bruce Gomlevsky, que, nos próximos 3 vídeos, recita “Ilíada”, “Como fazer florescer a flor?” & “O elogio das índias ocidentais”.

Mais vídeos chegarão!

Divirtam-se!

Beijo todos!
Paulo Sabino.
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(do site: Youtube. projeto: Ocupação Poética [3ª edição] — Teatro Cândido Mendes. local: Rio de Janeiro. data: 24/02/2016. Paulo Sabino recita A voz do mar, poema de Geraldo Carneiro.)

 

A VOZ DO MAR  (Geraldo Carneiro)

 

na nave língua em que me navego

só me navego eu nave sendo língua

ou me navego em língua, nave e ave.

eu sol me esplendo sendo sonhador

eu esplendor espelho especiaria

eu navegante, o antinavegador

de Moçambiques, Goas, Calecutes,

eu que dobrei o Cabo da Esperança

desinventei o Cabo das Tormentas,

eu que inventei o vento e a Taprobana,

a ilha que só existe na ilusão,

a que não há, talvez Ceilão, sei lá,

só sei que fui e nunca mais voltei

me derramei e me mudei em mar;

só sei que me morri de tanto amar

na aventura das velas caravelas

em todas as saudades de aquém-mar
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(do site: Youtube. projeto: Ocupação Poética [3ª edição] — Teatro Cândido Mendes. local: Rio de Janeiro. data: 24/02/2016. Paulo Sabino recita Juízo final, poema de Geraldo Carneiro.)

 

JUÍZO FINAL  (Geraldo Carneiro)

 

amou três ou quatro sereias, sempre

marinheiro de primeiro naufrágio;

jurou em falso, disse meias verdades;

perambulou em busca do sublime,

sem nunca descobrir o Santo Graal;

andou atrás de um deus que fosse cômodo;

como esse deus não se desencantasse,

cantou a lua e outras deusas inconstantes;

refratário às ciências, desconfia

que o Sol gira ao redor da Terra

e o homem é um animal fadado à extravagância;

às vezes sofre acessos de grandeza,

supõe-se demiurgo e pandemônio,

mas o mundo sempre se rebela

contra suas mal fundadas esperanças

e o reduz à sua insigne insignificância.
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(do site: Youtube. projeto: Ocupação Poética [3ª edição] — Teatro Cândido Mendes. local: Rio de Janeiro. data: 24/02/2016. Bruce Gomlevsky recita Ilíada, poema de Geraldo Carneiro.)

 

ILÍADA  (Geraldo Carneiro)

 

nunca andei diante dos muros

…………………………………………de Troia

a não ser como parte do pensamento

de Zeus, que jamais dorme.

amei no entanto uma mulher que foi

morar do outro lado do Oceano

por quem chorei uns dois mediterrâneos

embora fosse um choro sem lágrimas.

 

não conheço a alegria do regresso.

meu coração perdeu todas as guerras.

meus navios partiram para nunca.

mas confio que os deuses são benignos

e os meus adeuses formam a cidade

em que ancorei meu barco:

e fico aqui na minha ilha-Ílion

enquanto eles desfilam em triunfo.
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(do site: Youtube. projeto: Ocupação Poética [3ª edição] — Teatro Cândido Mendes. local: Rio de Janeiro. data: 24/02/2016. Bruce Gomlevsky recita Como fazer florescer a flor?, poema de Geraldo Carneiro.)

 

COMO FAZER FLORESCER A FLOR?  (Geraldo Carneiro)

 

casar ou não casar, esta é a questão,

é assim aqui ou no Cazaquistão,

que eu chamaria de Casarquistão,

ou, se você quiser, Quiserquistão;

o que está fora de questão é amar-te,

mesmo que fosse em Vênus ou em Marte;

mas, se eu pudesse escolher, acredite,

escolheria o reino de Afrodite,

não sei se por qualquer superstição

vinda, sei lá, de algum Seilaquistão,

ou por amor de outras mitolorgias,

dos orixás da Grécia ou da Bahia;

não que lá em Marte fosse amar-te menos:

mas eu preferiria amar-te em Vênus

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(do site: Youtube. projeto: Ocupação Poética [3ª edição] — Teatro Cândido Mendes. local: Rio de Janeiro. data: 24/02/2016. Bruce Gomlevsky recita O elogio das índias ocidentais, poema de Geraldo Carneiro.)

 

O ELOGIO DAS ÍNDIAS OCIDENTAIS  (Geraldo Carneiro)

 

ó cunhãs, ó indiazinhas em flor

quisera ser o vosso Pero Vaz

cronista das vergonhas saradinhas

naufragar nestas Índias do Ocidente

cheio de fantasias orientais

ser vosso fauno sem après-midi

cevado (ai de mim) a aipim e cauim

até me converter num querubim

e, numa patuscada bem pagã,

(Cubanacan ao fundo no atabaque),

oferecer o corpo em holocausto

para sentir, com a graça de Tupã,

os vossos dentes me mascando a carne

nhaque     nhaque     nhaque

LANÇAMENTO DO LIVRO “ÓPERA DE NÃOS”, DO POETA SALGADO MARANHÃO — O EVENTO (FOTOS & VÍDEOS)

março 10, 2016 - Leave a Response

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(Paulo Sabino)

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(O poeta Carlos Dimuro & a atriz & cantora Zezé Motta)

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(A atriz Nathalia Timberg & o poeta & letrista Salgado Maranhão)
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“Querido Poeta Paulo Sabino, você é o tipo de pessoa que sempre leva brilho aonde vai. Pelo seu talento e simpatia, pela sua enorme generosidade no primado do afeto. Super obrigado, irmão!”

(Salgado Maranhão — poeta & letrista)

 

 

Queridos,

Segunda-feira (07/03), mais uma noite de esplendor, onde a Poesia reinou absoluta:

Lançamento do “Ópera de nãos”, o mais recente livro de poemas do sofisticado poeta & letrista Salgado Maranhão, com direito a um recital “litero-musical” & as participações, entre outros, das grandes atrizes Nathalia Timberg & Zezé Motta, do músico Zé Américo Bastos, dos poetas (e grandes amigos) Cristiano Menezes & Luis Turiba & deste que vos escreve.

Algumas canções do poeta foram tocadas & cantadas & alguns dos seus poemas foram ditos pelos convidados do grande anfitrião da noite.

Muito me honrou ter dito, a pedido do Salgado, um mesmo poema que a grande diva da dramaturgia Nathalia Timberg também disse, um poema do poeta Carlos Dimuro (organizador de todo o evento) em homenagem ao Salgado Maranhão, e recebido um super elogio da atriz, pelo meu modo de utilizar a palavra, e do próprio autor do poema, Carlos Dimuro, que me disse que eu fui a pessoa que até hoje melhor disse o seu poema intitulado “Um rio salgado”.

Alegria & satisfação imensas.

Eu disse um total de quatro poemas: três poemas do “Ópera de nãos” (“Lacre 10”, “Lacre 11” & “Clivagem”) & um poema do Carlos Dimuro (“Um rio salgado”).

Amigos novos, projetos novos, trabalhos todos muito bonitos estão por vir — em breve vocês tomarão conhecimento do que se tratam esses trabalhos.

O que tenho hoje a fazer é, mais uma vez, agradecer à Poesia, Musa Maior da minha existência, tudo de maravilhoso que me tem acontecido.

Agradecer ao Salgado Maranhão a confiança, o respeito & o carinho em mim depositados. Agradecer ao poeta & organizador da noite Carlos Dimuro os tantos elogios que ouvi entre encabulado & orgulhoso. Agradecer às atrizes Nathalia Timberg & Zezé Motta as lindas palavras & o olhar doce que me lançaram durante todo o evento. Agradecer à presença de vários grandes amigos que ajudaram a encher o salão do Hotel Golden Tulip Regente, em Copacabana, onde aconteceu o evento. Agradecer à Vida a oportunidade de vivenciar esses momentos que me são tão caros.

Muita coisa bacana por vir, muita coisa bonita a realizar. Cabeça & coração a mil.

Valeu!

Beijo todos!
Paulo Sabino.
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(do site: Youtube. lançamento do livro “Ópera de nãos”, do poeta Salgado Maranhão. Paulo Sabino recita “Um rio salgado”, do poeta Carlos Dimuro. data: 07/03/2016.)


UM RIO SALGADO  (Carlos Dimuro)

Para Salgado Maranhão

 

Apesar de navegar sereias,
não é doce
o rio que corta
o teu poema.

Sabem-se salgados
os escombros que se escondem
sob as escamas da tua escrita.
E o que em ti é peixe,
se debate em guelras e guerras
numa incansável
respiração boca a boca
com a palavra.

A salinidade ancestral
de tuas águas,
refinada pelos deuses,
tempera o profano:
o sagrado no salgado.

No rio que segue
o curso líquido dos mistérios
da linguagem,
um cardume de versos
anuncia o mar.
______________________________________________________

(do site: Youtube. lançamento do livro “Ópera de nãos”, do poeta Salgado Maranhão. Paulo Sabino recita “Lacre 10”, do poeta Salgado Maranhão. data: 07/03/2016.)

 

LACRE 10  (Salgado Maranhão)

Sou um ladrão de luas,
um salteador de azuis.

Exibo essas credenciais
inúteis
a todos que me interpelam.

Aos fuzileiros,
…………………..aos sacerdotes,
aos mentecaptos;

sem que nada altere
o arrulhar do vento
e o coice do mar.

Sem donatário ou domínios.
Insisto em reger esta ópera
de nãos.

Se sangue há em mim,
é nas veias,
………………não nas mãos.
______________________________________________________

(do site: Youtube. lançamento do livro “Ópera de nãos”, do poeta Salgado Maranhão. Paulo Sabino recita “Clivagem”, do poeta Salgado Maranhão. data: 07/03/2016.)

 

CLIVAGEM  (Salgado Maranhão)

Canto para renascer
na pedra
com a semente que o mar
roubou dos náufragos; canto
para repartir com a brisa
a lúdica sesmaria da palavra.

Um atlas abriu seus galhos
para acolher meus reinos:
uma geometria de farrapos;
um tigre com o sol entre as patas.

E sigo esse rio de letras
como se chão em chamas:
a poesia me despiu
para explodir com os astros.

LANÇAMENTO DO LIVRO “ÓPERA DE NÃOS”, DO POETA SALGADO MARANHÃO — SARAU “LITERO-MUSICAL”

março 4, 2016 - Leave a Response

Ópera de Nãos_Salgado Maranhão_Convite Lançamento

(O convite para o lançamento — clique com o mouse na foto para ampliá-la)

Salgado Maranhão

(O poeta Salgado Maranhão)

Zezé Motta

(A atriz & cantora Zezé Motta)

Nathalia Timberg

(A atriz Nathalia Timberg)

Egberto Gismonti

(O violonista & compositor Egberto Gismonti)

Paulo Sabino Cabelo Curto

(O poeta Paulo Sabino)
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Um convite a todos:

Na próxima segunda-feira, dia 7 de março (07/03), a partir das 19h30, no Hotel Golden Tulip Regente (Av. Atlântica, 3716, Copacabana), o lançamento do livro “Ópera de nãos”, do sofisticado poeta & letrista Salgado Maranhão, com um grande sarau “litero-musical” & as participações, entre outros, das atrizes Zezé Motta & Nathalia Timberg & dos músicos instrumentistas Egberto Gismonti & Zé Américo Bastos.

Paulo Sabino, este que vos escreve, foi convidado pelo poeta Salgado Maranhão a participar do sarau, lendo alguns poemas do livro & prestando uma homenagem ao poeta Carlos Dimuro, curador das exposições que também fazem parte do evento.

(Maiores informações no convite para o lançamento, postado como a primeira foto desta publicação.)

Aos interessados, um dos poemas que lerei no referido acontecimento.

Beijo todos!
Paulo Sabino.
______________________________________________________

(do livro: Ópera de nãos. autor: Salgado Maranhão. editora: 7Letras.)

 

 

14. CLIVAGEM

 

Canto para renascer
na pedra
com a semente que o mar
roubou dos náufragos; canto
para repartir com a brisa
a lúdica sesmaria da palavra.

Um atlas abriu seus galhos
para acolher meus reinos:
uma geometria de farrapos;
um tigre com o sol entre as patas.

E sigo esse rio de letras
como se chão em chamas:
a poesia me despiu
para explodir com os astros.

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